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Avaliação Pré-Participação - Temporada 2020

Atualizado: 16 de jun. de 2021


Avaliação Pré-participação no tênis

Escrito por Luiz Augusto Borges Gomes


Os tenistas praticam o esporte com diferentes objetivos. Para alguns é apenas um esporte recreacional, onde é possível participar de uma atividade física prazerosa, que também traz diversos benefícios à saúde e qualidade de vida. Um estudo grande realizado na Inglaterra mostrou que dentre cinco modalidades esportivas, o tênis foi aquela que mais reduziu o risco de mortalidade cardiovascular e o risco de mortalidade por qualquer causa, com reduções de 56% e 47%, respectivamente (1). Para os mais jovens, as motivações para estar em quadra normalmente estão ligadas a competições e ao sonho de um dia poder se tornar um grande atleta após muito trabalho. E por fim, uma pequena parcela privilegiada de tenistas, pode dizer que fazem do tênis a sua profissão, tendo alcançado o sonho que tinham quando jovens de se tornarem tenistas profissionais.


Independentemente das motivações ou objetivos com a prática do tênis, o ponto em comum entre qualquer nível de praticante é a insatisfação quando têm que se afastar da prática do esporte. Em grande parte dos casos, esse afastamento é causado por lesões relacionadas à pratica do tênis, normalmente acometendo o sistema musculoesquelético. A incidência geral de lesões no tênis chega a 3 lesões a cada 1000 horas de prática esportiva (2). Para o tenista recreacional, uma lesão pode acarretar um afastamento do trabalho e impactar negativamente sobre sua saúde, haja visto que não poderá se beneficiar dos efeitos positivos que a prática pode lhe oferecer (3). Para o tenista infantojuvenil, pode representar um atraso no desenvolvimento das habilidades esportivas e a perda de uma série de competições importantes. Já para o profissional, pode representar uma queda no ranking, a perda de torneios importantes e uma redução de sua receita mensal.


Apesar das diversas repercussões negativas que podem advir de uma lesão, parece que os atletas estão se preocupando muito pouco com sua saúde no esporte. Um estudo recente conduzido com tenistas recreacionais mostrou que 45% deles não dedicavam tempo algum para a prevenção de lesões e, de forma adicional, 53% consideravam que não tinham conhecimento suficiente sobre o tema (2). O autocuidado é imprescindível no esporte, principalmente nas modalidades individuais como o tênis, onde os atletas dificilmente são acompanhados por uma comissão técnica, principalmente nos casos de tenistas que viajam para competições e passam longos períodos longe de casa.


As lesões relacionadas à pratica do tênis são causadas pela interação de uma ampla gama de fatores, que interagem entre si, para desencadear uma lesão durante uma determinada situação dentro de quadra. Alguns desses fatores estão ligados ao sistema musculoesquelético e podem ser modificados, reduzindo o risco que o atleta terá de sofrer uma lesão. Um bom exemplo é a mobilidade do tornozelo, que pode estar associada a entorses de tornozelo (4, 5) e tendinopatias no joelho (6), dois dos tipos mais comuns de lesão na modalidade (7).


A identificação dos fatores relevantes e passíveis de modificação pode ser feita por testes específicos durante uma avaliação e, a partir dos resultados, o atleta pode ser educado quanto as intervenções mais eficazes para incluir em sua rotina, visando a obtenção de uma modificação desses fatores e, consequentemente, uma redução no risco de lesão. Nós, da equipe Taka Fisioterapia Especializada, com um intuito de melhorar o nível de atenção dada à saúde do tenista e também o nível de educação dos atletas com relação à sua própria saúde no esporte, elaboramos uma bateria de avaliações personalizadas com o objetivo de identificar fatores relevantes para a prática do tênis, pensando na especificidade dos movimentos do esporte, mas considerando também o histórico de lesões prévias do tenista avaliado.


1. Oja P, Kelly P, Pedisic Z, Titze S, Bauman A, Foster C, et al. Associations of specific types of sports and exercise with all-cause and cardiovascular-disease mortality: a cohort study of 80 306 British adults. Br J Sports Med. 2017;51(10):812-7.

2. Pas HIMF, Bodde S, Kerkhoffs GMMJ, Pluim B, Tiemessen IJH, Tol JL, et al. Systematic development of a tennis injury prevention programme. BMJ Open Sport Exerc Med. 2018;4(1):e000350.

3. Pluim BM, Staal JB, Marks BL, Miller S, Miley D. Health benefits of tennis. Br J Sports Med. 2007;41(11):760-8.

4. Pope R, Herbert R, Kirwan J. Effects of ankle dorsiflexion range and pre-exercise calf muscle stretching on injury risk in Army recruits. Aust J Physiother. 1998;44(3):165-72.

5. Kobayashi T, Yoshida M, Gamada K. Intrinsic Predictive Factors of Noncontact Lateral Ankle Sprain in Collegiate Athletes: A Case-Control Study. Orthop J Sports Med. 2013;1(7):2325967113518163.

6. Backman LJ, Danielson P. Low range of ankle dorsiflexion predisposes for patellar tendinopathy in junior elite basketball players: a 1-year prospective study. Am J Sports Med. 2011;39(12):2626-33.

7. Abrams GD, Renstrom PA, Safran MR. Epidemiology of musculoskeletal injury in the tennis player. Br J Sports Med. 2012;46(7):492-8.

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